Se você pega um material como um cristal, aplica um campo magnético constante nele e faz a luz atravessar esse material, a polarização da luz (a orientação em que ela vibra) gira um pouco. Isso é o Efeito Faraday.

Até hoje os físicos explicavam isso dizendo que “É só a parte elétrica da luz que interage com o material”. Ou seja, o campo elétrico da luz era quem fazia todo o trabalho, e o campo magnético era considerado irrelevante.
Com uma nova pesquisa, viu-se que a parte magnética da luz também participa ativamente do Efeito Faraday, e não é pouca coisa. Eles encontraram que:
> A luz tem um campo magnético oscilante (além do elétrico);
> Esse campo magnético consegue puxar os spins (os minúsculos imãs dos elétrons dentro do material) e gerar um tipo de torque magnético lá dentro, como se estivesse girando um ímã;
> Quando fizeram as contas para um cristal bem usado em experimentos, perceberam que na luz visível, a parte magnética da luz explica cerca de 17% da rotação. No infravermelho, pode chegar a cerca de 70% da rotação!
Ou seja, aquilo que era tratado como quase nada, pode ser responsável por boa parte do efeito, dependendo do comprimento de onda de luz.
Isso ainda é principalmente resultado teórico, mas com previsões claras para serem testadas em laboratório. Se confirmado, isso pode mudar a forma como entendemos interações básicas entre luz e magnetismo, abrir novas ideias em dispositivos quânticos, spintrônica (usar o spin dos elétrons em vez de só carga, para memória e processamento) e novas formas de controlar materiais com luz.
A pesquisa, “Efeitos de Faraday emergindo do campo magnético óptico“, foi publicada em 19 de novembro de 2025 no Nature Science Reports pelos pesquisadores israelenses Benjamin Assouline e Amir Capua.
