As buscas pelo mitológico Planeta 9 seguem promissoras

A especulação sobre um nono gigante — apelidado de Planeta Nove ou Planeta X — foi reacendida quando astrônomos notaram que certos objetos transnetunianos distantes (corpos celestes além de Netuno) apresentavam órbitas estranhamente alinhadas, como se movidos por algo invisível além de Netuno. Essa assinatura gravitacional despertou radar críticos da astronomia.

Em 2016, Michael E. Brown e Konstantin Batygin, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), deram forma a essa sombra científica: propuseram que um planeta com massa entre 5 e 10 vezes a da Terra, circulando o Sol a uma distância entre 400 e 800 UA (unidades astronômicas), poderia explicar aquelas órbitas teimosas.

Um planeta com até 10 vezes a massa da Terra, chamado de Planeta Nove, explicaria as órbitas de seis objetos distantes no Sistema Solar (em lilás). Imagem: Caltech/nationalgeographicbrasil.com

Konstantin Batygin diz:

“Essa coisa está em uma órbita excepcionalmente frígida, de longo período e que provavelmente leva 20 mil anos para fazer uma volta completa ao redor do sol”

Fonte: nationalgeographicbrasil.com

Muito antes do anúncio científico de Batygin e Brown em 2016, já circulavam teorias sobre um “planeta oculto”. Nos anos 1970, o escritor Zecharia Sitchin interpretou textos sumérios e propôs a existência de Nibiru, um planeta errante com órbita alongada que passaria periodicamente pelo sistema solar, influenciando civilizações antigas.

Voltando aos tempos atuais, em fevereiro de 2025 pesquisadores de Princeton detectaram indícios em 51 objetos transnetunianos: parece haver algo com cerca de cinco massas terrestres, trilhas orbitais tão distantes que repousariam a uns 400 UA. Esse “mini‑Netuno” ou “Super-Terra” é um candidato elegante para explicar a estabilidade orbital ao longo de bilhões de anos.

Ainda em 2025, outro estudo elevou o tom da investigação: cientistas em Taiwan aplicaram tecnologia infravermelha para rastrear pontos móveis nos confins do sistema. Encontraram um par de pontos com brilho e cor coerentes com um corpo celeste real, possivelmente deslocando-se. O que ele seria? Um astro exótico que ainda aguarda confirmação robusta.

Um modelo brasileiro, liderado por Rafael Ribeiro de Sousa (Unesp), contribuiu ao afirmar que a influência deste planeta hipotético também moldaria dois reservatórios de cometas: o Cinturão de Kuiper ampliado e a Nuvem de Oort. O interessante? O modelo prevê ainda uma segunda nuvem alinhada com a órbita do planeta, sugerindo novas fontes cometárias — um efeito elegante que reforça a teoria.

No campo mais especulativo, há quem relacione o Planeta Nove com hipóteses ufológicas. Algumas teorias sugerem que esse corpo poderia abrigar uma civilização avançada, ou mesmo ser uma base móvel usada por inteligências alienígenas que visitam o sistema solar.

O Planeta 9 virou inspiração em livros, séries e jogos. No campo acadêmico, é tratado com rigor; fora dele, é retratado como um “guardião invisível”, um “viajante errante” ou mesmo um agente de catástrofes, dependendo da lente cultural de quem conta a história.

As buscas seguem em ritmo acelerado, com grandes observatórios e sondas preparados para vasculhar o céu profundo. Projetos como o do Observatório Vera C. Rubin, no Chile, prometem revolucionar essa caçada, mapeando áreas imensas do céu com uma sensibilidade jamais vista. Se o planeta estiver lá, é uma questão de tempo até que seja revelado.

Curiosidade: Netuno foi previsto antes de ser visto. Após a descoberta de Urano, sua órbita não batia exatamente com as previsões da mecânica newtoniana. Calcularam então que devia haver um planeta desconhecido perturbando a órbita de Urano. Com os cálculos em mãos, em 1846 apontaram o telescópio para a posição indicada e, para encanto de todos, encontraram Netuno quase exatamente onde previsto. Essa foi a primeira vez na história que um planeta foi descoberto “no papel” antes de ser observado.

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