Os próximos gigantes da astronomia: Xuntian, Roman e ELT

No artigo antepassado expliquei um pouco sobre o magnífico Observatório Vera C. Rubin, cuja construção está praticamente concluído e já até tirou algumas fotos do espaço. Ficou curioso em saber se tem algo mais vindo aí próximo? Destaco 3 próximos grandes lançamentos prestes a entrar em operação:

Xuntian (CSST — Chinese Space Station Telescope) — China — ~2026

O Xuntian (também chamado CSST – Chinese Space Station Telescope) é um projeto bem ambicioso da China, pensado para competir no mesmo patamar de importância que o Hubble, o Roman e o próprio Vera Rubin — mas com um perfil diferente.

Seu campo de visão será cerca de 300 a 350 vezes maior que o do Hubble, permitindo varrer enormes áreas do céu em alta resolução. Irá orbitar próximo à Estação Espacial Chinesa (Tiangong), podendo acoplar-se para manutenção e upgrades, algo que o Hubble só conseguiu por ter o suporte dos ônibus espaciais na época.

Representação artística do Telescópio da Estação Espacial da China (CSST). Crédito: 中国科学院长春光学精密机械与物理研究所

Projetado principalmente para mapear bilhões de galáxias e estudar energia escura e matéria escura, a China pretende que ele complemente os dados globais junto com Roman e Rubin, contribuindo com as maiores pesquisas de mapeamento cósmico e fornecer dados de altíssima precisão.

Quando eu disse que o Xuntian tem um perfil diferente, quis dizer que, mesmo sendo comparável em tamanho ao Hubble e ao futuro Roman, ele não foi projetado para ser um telescópio “de apontar e estudar profundamente um objeto de cada vez” — o foco dele é outro.

Basicamente, ele é um telescópio espacial voltado para levantamentos massivos e rápidos, como se fosse o “Rubin do espaço”, enquanto Hubble e Webb são mais para “zoom e detalhes”. As operações deste telescópio pretendem durar 10 anos, com possibilidade de extensão.

CaracterísticaXuntianHubbleRoman
Espelho primário2,0 m2,4 m2,4 m
Campo de visão~300x maior1x~100x maior que Hubble
ÓrbitaPróxima à Tiangong, com manutençãoBaixa órbita terrestrePonto L2
Foco principalLevantamento massivo e rápidoObservações detalhadasCampo amplo + exoplanetas

Nancy Grace Roman Space Telescope (NASA) — ~2027

O Nancy Grace Roman Space Telescope é um dos projetos mais aguardados da NASA, porque ele foi planejado para unir a qualidade do Hubble com o poder de varredura em larga escala, atuando como um “caçador de mundos” e um “censor cósmico” de energia escura.

O nome anterior era WFIRST (Wide-Field Infrared Survey Telescope), mas em 2020 foi rebatizado em homenagem a Nancy Grace Roman, astrônoma que foi a “mãe do Hubble” dentro da NASA e pioneira em astronomia espacial.

O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, é um observatório avançado projetado para responder a algumas das questões mais urgentes da astrofísica. Crédito: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA

Ele irá estudar energia escura, exoplanetas (com coronógrafo para tentar imagens diretas) e a estrutura cósmica em grande escala, com o impacto esperado de transformar o entendimento da aceleração cósmica e criar o maior catálogo de exoplanetas até agora.

Terá um campo de visão 100 vezes maior que o do Hubble, mantendo qualidade semelhante, e foi planejado para ficar no ponto de Lagrange L2 (mesmo do Webb), a 1,5 milhão de km da Terra (~1 ua). A proposta de duração da missão primária será de 5 anos, com expectativas de expanção para 10 anos ou mais.

CaracterísticaHubbleWebbRoman
Espelho2,4 m6,5 m2,4 m
Campo de visão1x1x (foco pequeno)~100x Hubble
Faixa de luzVisível + UV + IR próximoIR médio e próximoIR próximo + visível
Foco principalImagens detalhadasFormação estelar, galáxias primitivasEnergia escura, exoplanetas, mapeamento

Extremely Large Telescope (ELT) — ESO/Chile — ~2028/2029

O ELT (Extremely Large Telescope, algo como Telescópio Extremamante Grande) é, sem exagero, um dos projetos mais ousados já feitos em astronomia terrestre — quando ficar pronto, será o maior telescópio óptico/infravermelho do mundo, com capacidade de resolução muito acima do que o James Webb consegue em alguns tipos de observação.

As construções foram iniciadas em 2014 no Cerro Armazones, no Deserto do Atacama, Chile, a ~3.000 m de altitude. O local foi escolhido porque o Atacama é um dos pontos mais secos e estáveis do planeta, garantindo céus extremamente limpos e pouca turbulência atmosférica.

Impressão artística do telescópio europeu Extremely Large Telescope em sua estrutura

O espelho primário contará com 39,3 metros de diâmetro, formado por 798 segmentos hexagonais ajustados com altíssima precisão. A área coletora será de ~978 m² (mais que todos os grandes telescópios ópticos atuais somados). Possuirá um sistema avançado que corrige em tempo real a distorção da atmosfera, alcançando resolução cerca de 16 vezes melhor que o Hubble.

Diversas metas estão programadas para ele, tais como observar diretamente planetas rochosos próximos, detectar e analisar atmosferas em busca de bioassinaturas, investigar as primeiras galáxias, mapear a distribuição de matéria escura e observar discos protoplanetários com detalhes jamais vistos.

O Webb e o ELT vão trabalhar de forma complementar: o Webb é insubstituível no infravermelho médio, mas o ELT será imbatível em capturar detalhes de objetos mais próximos, como estrelas da Via Láctea e planetas próximos.

TelescópioDiâmetro do espelhoResolução relativa
Hubble2,4 m1x
James Webb6,5 m~2,7x Hubble
ELT39,3 m~16x Hubble

Comentário(s)