A ideia surgiu no final dos anos 1990 e início dos 2000 com o nome LSST – Large Synoptic Survey Telescope. O objetivo era ousado: criar um telescópio capaz de fotografar todo o céu visível em poucos dias, repetindo o processo por anos para detectar qualquer mudança. O conceito foi inspirado por missões como o Sloan Digital Sky Survey, que já havia mapeado uma parte significativa do céu, mas sem a rapidez e profundidade que os cientistas queriam.
Em 2020, o LSST foi renomeado para Vera C. Rubin Observatory em homenagem à astrônoma Vera Cooper Rubin (1928–2016). Rubin foi pioneira no estudo da matéria escura: suas medições da rotação das galáxias mostraram que havia muito mais massa invisível do que o esperado. Foi um trabalho fundamental, mas que por muito tempo não recebeu o devido reconhecimento no meio científico.

Enquanto telescópios como o James Webb ou o Hubble focam em pequenas áreas do céu e mergulham profundamente nela, coletando dados minuciosos, o Rubin vai escanear em larga escala praticamente todo o céu visível regularmente a cada três noites. O esquema funcionará mais ou menos assim: Em uma noite típica, ele faz cerca de 1000 exposições de 30 segundos cada, cobrindo grandes porções do céu. Após três noites, todo o hemisfério visível irá ser fotografado.
Ele fará isso repetidamente durante 10 anos, criando um filme da evolução do universo com sua câmera monstruosa de cerca de 3,2 gigapixels – a maior câmera digital do mundo, cada foto bruta ocupará cerca de 6 GB.

Ele não só tira fotos, ele cria sequências temporais: podemos ver a explosão de uma estrela, o surgimento de um cometa, ou o piscar de uma estrela quando um planeta passa na frente dela. Ele será perfeito para flagrar fenômenos que mudam rápido: transientes, explosões de supernovas, asteroides passando perto da Terra, colisões de estrelas de nêutrons, mudanças no brilho de galáxias e até possíveis sinais de objetos interestelares como ʻOumuamua.
Por escanear o céu todo com frequência, o Rubin será a melhor ferramenta para detectar asteroides perigosos que possam colidir com a Terra. Irá aumentar em muito as chances de flagrar um objeto vindo de fora do Sistema Solar enquanto ele ainda está longe o bastante para ser estudado. Telescópios como Webb ou Hubble não têm essa função porque como já foi dito, não cobrem grandes áreas.


Com um catálogo de 20 bilhões de galáxias com posições e variações de brilho ao longo de anos, o Rubin permitirá estudos estatísticos da formação e evolução do universo. A partir dos padrões de distribuição e movimento das galáxias, ele também vai ajudar a testar modelos sobre matéria escura e energia escura, duas das maiores incógnitas da cosmologia moderna.
O projeto foi pensado para liberar os dados rapidamente para a comunidade científica mundial — e até astrônomos amadores poderão usar esses registros para descobrir coisas novas. Todos os dados ficarão publicamente acessíveis quase em tempo real.
O Vera Rubin não é “o sucessor” de Webb ou Hubble — ele é o vigia do céu em tempo real que vai dizer para onde apontar esses telescópios quando algo raro ou inesperado acontecer, para que façam observações mais detalhadas. Ele será o radar de alerta e o contador de histórias do universo, enquanto Webb e Hubble são os fotógrafos de alta definição que chegam depois para a foto de capa. Esse modelo de “observatório sentinela” em larga escala é algo que nunca tivemos nesse nível de potência e regularidade.
Construção quase finalizada: A construção do Vera C. Rubin Observatory já passou da metade do caminho — na verdade, ela está praticamente concluída, com a fase final de comissionamento em andamento e as operações científicas prestes a começar. É seguro afirmar que o observatório está perto da operação total, com operações científicas planejadas para começar entre final de 2025 e início de 2026. Ainda há algumas tarefas finais, como ajustes estruturais e rodadas finais de engenharia, previstas até outubro de 2025.
Site oficial e dados: O endereço principal do observatório é rubinobservatory.org, onde você encontra informações institucionais e notícias sobre seus feitos. O coração pulsante dos dados é o Rubin Science Platform (RSP) — um sistema sofisticado com interface gráfica (portal), notebooks (para quem quer explorar via código Python) e API (para sistemas automatizados). Tudo isso acessado em data.lsst.cloud.
Primeiras imagens já disponíveis! Uma das primeiras imagens divulgadas pelo Observatório Rubin expõe um Universo repleto de estrelas e galáxias – transformando bolsões de espaço aparentemente vazios e pretos em tapeçarias brilhantes pela primeira vez. Somente Rubin pode produzir rapidamente imagens tão grandes com tanta cor e riqueza.

O software de Rubin comparará automaticamente novas imagens com modelos construídos a partir de imagens anteriores, identificando até 10 milhões de mudanças a cada noite e fornecendo informações sobre fenômenos cósmicos de curta duração e objetos em movimento.
