Faz-se muito tempo que o ser humano pisou na Lua pela última vez, em 1972. Deste então, 50 anos se passou e não voltamos mais para lá. O que teria acontecido? Ao total os astronautas tiveram a oportunidade de caminhar pelo satélite seis vezes, todas durante o programa Apollo da NASA, entre 1969 e 1972:
Apollo 11 – Julho de 1969 – Neil Armstrong e Buzz Aldrin. Primeiro pouso humano. Coletaram 21,5 kg de rochas lunares e instalaram experimentos científicos, como um refletor de laser ainda ativo hoje.
Apollo 12 – Novembro de 1969 – Charles “Pete” Conrad e Alan Bean. Pousaram a apenas 200 metros da sonda Surveyor 3, que havia chegado em 1967, e trouxeram peças dela de volta para estudo.
Apollo 14 – Fevereiro de 1971 – Alan Shepard e Edgar Mitchell. Alan Shepard improvisou um taco e bateu duas bolas de golfe na Lua — uma delas voou muito longe por causa da gravidade mais fraca.
Apollo 15 – Julho de 1971 – David Scott e James Irwin. Primeira missão a usar o Lunar Roving Vehicle (o “jipe lunar”), que permitiu explorar até 27 km do local de pouso.
Apollo 16 – Abril de 1972 – John Young e Charles Duke. Fizeram um salto com o jipe lunar que levantou poeira — Young chegou a brincar sobre “dirigir como um adolescente”.
Apollo 17 – Dezembro de 1972 – Eugene Cernan e Harrison Schmitt. Recolheram mais de 110 kg de amostras. Cernan foi o último humano a deixar a superfície lunar, dizendo: “Voltaremos, com paz e esperança para toda a humanidade”.


Cadê a Apollo 13? Nesta missão que ocorreu em abril de 1970, dois dias após o lançamento, um tanque de oxigênio explodiu no módulo de serviço, danificando gravemente a nave. Como consequência, a missão ao solo lunar teve de ser cancelada. A tripulação usou o módulo lunar como “bote salva-vidas” para manter sistemas vitais durante a viagem de retorno, dando a volta na Lua sem pousar.
A Apollo 13 entrou para a história como exemplo de improviso e engenharia sob pressão. Foi depois desse susto que a NASA reforçou os sistemas de segurança para as missões seguintes.
Mas então por que não voltamos mais para lá, durante todos esses 50 anos? Ainda mais com a evolução tecnológica que houve e a expertise adquirida. O que teria motivado o fim da exploração humana ao nosso único querido satélite natural?
A real é que tecnologia não é o único fator decisivo e também não foi por falta de capacidade técnica. Motivos políticos, orçamentários e prioridades estratégicas contaram muito mais.
Primeiro que o principal motivo para ir à Lua era “vencer” os soviéticos. Depois que os EUA pousaram em 1969, a vantagem simbólica já estava garantida. Com o fim da corrida com a URSS, sem a pressão da Guerra Fria, o governo e a opinião pública perderam o interesse.
Segundo que o programa Apollo drenava bilhões de dólares anuais (na época, cerca de 4% do orçamento federal dos EUA). Após a corrida espacial, esse investimento altíssimo não se justificava mais politicamente.
Terceiro que houve prioridade para outras missões. A NASA redirecionou recursos para a Estação Espacial Skylab, o ônibus espacial e sondas robóticas para explorar o Sistema Solar (Voyager, Viking, Pioneer, etc.), que eram mais baratas e científicamente ricas.
E por último, por causa dos riscos elevados. Cada lançamento tripulado à Lua envolvia riscos significativos de acidente e morte de astronautas. Sem a urgência política de antes, esse risco passou a pesar mais na decisão.
Portanto voltar não foi um objetivo prioritário após 1972. O pouso já havia cumprido o objetivo político (superar a União Soviética). Retornar exigiria gastar novamente bilhões de dólares com pouca novidade científica para justificar. É como perguntar por que não construímos mais Pirâmides do Egito: não é porque não conseguimos, mas porque não há motivo econômico para fazer.
Há, entretanto, teorias mais exóticas explicando nossa ausência lá. A ideia central, no campo da ufologia, é que durante as missões Apollo os astronautas teriam encontrado sinais claros de presença extraterrestre na Lua — estruturas, naves, ou até seres inteligentes — e que isso teria levado a um “acordo” ou a uma proibição tácita para que a humanidade não voltasse. Nossa ida foi como entrar no quintal de alguém sem permissão — fomos tolerados na primeira vez, mas convidados a não repetir a visita.
A comunidade científica no geral (adivinha) rejeitou essa teoria. Mas caso queira se aprofundar mais nessa vertente, visite este link: https://exopolitics.org/apollo-missions-ended-because-extraterrestrials-prevented-us-navy-bases-on-moon/ (em inglês, mas nada que um tradutor resolva).
Na prática, porém, a Lua nunca “ficou sozinha” depois das Apollo. Após o último astronauta deixar o astro em 1972, várias missões não tripuladas continuaram estudando nosso satélite, enviando robôs e sondas orbitais para mapeamento, análise mineral e observação de longo prazo, como por exemplo:
- Clementine (EUA, 1994) – Orbitou e mapeou a Lua em alta resolução, inclusive detectando possíveis sinais de gelo em crateras polares.
- Lunar Prospector (EUA, 1998–1999) – Confirmou depósitos de hidrogênio (indicando gelo) nas regiões polares.
- Chang’e 1 e 2 (China, 2007 e 2010) – Mapeamento de alta resolução para futuras missões chinesas.
- Chang’e 3, 4, 5 (China, 2013–2020) – Incluíram pousos e até retorno de amostras (Chang’e 5, 2020).
Ou seja: o homem não voltou fisicamente, mas a Lua continuou sendo monitorada, fotografada e até visitada por robôs. Hoje, há planos não só de mandar mais satélites, mas também montar uma estação em órbita lunar para servir de base para idas a Marte e estadias prolongadas na própria Lua.
Agora, 50 anos depois, estamos prestes a voltar com o programa Artemis (NASA, ESA, JAXA e parceiros), que pretende levar humanos à Lua a partir de 2026–2027, dessa vez com foco em uma presença sustentável e uso de recursos lunares como trampolim para Marte.
A China também está se preparando para enviar humanos à Marte. A meta oficial é realizar o primeiro pouso humano chinês na Lua entre 2030 e 2035. Ela já está testando foguetes potentes (Longa Marcha 10), trajes espaciais lunares e módulos de pouso tripulados. “Corrida lunar 2.0” à vista?
