Dinheiro: solução para todos os problemas ou a raíz de todos os males?

Que o dinheiro é necessário em nossa vida, ninguém questiona. O fato é que muita gente acredita que é a medida real do sucesso e da felicidade. Entre nós, é cultuado, cada vez mais, como um deus. Valores legítimos, como as virtudes e a espiritualidade, são desprezados. Afinal, o que importa são os prazeres que uma conta bancária proporciona.

Ou seja: ter, para muitos de nós, é mais importante que ser. Independentemente do que aconteça, o tempo passa e um dia nossa vida chega ao fim. Cegos pela riqueza, perdemos a razão e não nos damos conta que tudo neste mundo é transitório. Temos o usufruto e não a posse real. Não é à toa que muitos deixam de trabalhar ou de fazer o bem para viver exclusivamente de lucros obtidos com as aplicações financeiras. ”Existe muita diferença entre uma vida tranquila e uma vida ociosa”, diz o filósofo romano Sêneca (4 a.C.-524 d.C.).

Ao contrário que muitos pensam, são nossos apenas os conhecimentos que trouxemos ao chegarmos neste mundo e os que adquirimos e aperfeiçoamos aqui. O resto, de uso do corpo, fica aqui. Não nos pertence.

Há quem acredite e diga que uma parcela significativa da humanidade se deixou seduzir pela riqueza a ponto de tê-la como a solução para todos os seus problemas. Isso é se deixar enganar. É claro que precisamos de dinheiro para a nossa sobrevivência. O problema passa a ser grave, quando é objeto de culto e desejo. É assim que nos tornamos, duplamente, escravos e prisioneiros.

Se bem empregada, a riqueza é fonte permanente de equilíbrio e bem-estar para nós e os outros. Contudo, se usada ao contrário, nos proporciona muita dor e sofrimento. Para quem duvida disso, o que não faltam são exemplos de pessoas célebres que mergulharam no sombrio mundo das drogas. Ante essa realidade, vale a advertência de Sêneca: ”O fogo é a prova do ouro; a miséria, a do homem forte”.

Por essas e outras razões é fundamental entender que a prudência está em viver com ou sem fortuna. O que vale e importa, é ter tranquilidade de alma. Sossego. Melhor dizendo: devemos encontrar a felicidade nas coisas simples que a vida nos oferece através do domínio ou extinção de paixões, desejos e inclinações sensórias. Portanto, devemos lutar, com todas as nossas forças, para que a fortuna não ocupe o lugar mais importante de nossas vidas.

Não faltam avisos

Em meio a isso, é fato que a ilusão criada pela posse das moedas enfraquece a nossa vontade e faz com que negligenciemos o que é realmente importante para nós. É dessa forma que perdemos o bom senso e a medida real das coisas.

Para aqueles que acreditam que o dinheiro é a solução para tudo, um alerta: ele não garante felicidade e nem compra paz de espírito. Tem mais: desde a antiguidade aos dias atuais, os filósofos e estudiosos nos alertam dos cuidados que devemos ter com ambição, cólera, apego desmedido as coisas e tropeços que podem ocorrer ao longo de nossas vidas. Entre eles: Sócrates, Platão e Aristóteles.

Em O Sétimo Selo: O Silêncio dos Céus (2010), Antonio Demarchi explica que, apesar dos incontáveis avisos do plano espiritual sobre a busca desenfreada pelo poder e riqueza, o fato é que a humanidade não os considera com a devida seriedade e se descuida.

Por sua vez, o filósofo francês Allan Kardec (1804-69) tem muito a nos dizer acerca deste tema: ”Existe, entretanto, uma medida de felicidade comum a todos os homens? Para a vida material é a posse do necessário, para a vida moral, a pureza da consciência e a fé no futuro” (Livro dos Espíritos, questão 922).

Na realidade, viver a cada dia em função do acúmulo de bens materiais não é tarefa fácil. Quem se deixa levar pela ambição e pelos desejos jamais será feliz. Quanto mais tem, em bens materiais, mais quer. É dominado em tempo integral pela frustração.

É por isso que muitas pessoas tem muita dificuldade para dormir e acordam com a cabeça pesada. Em situações como essa, falta o sossego necessário ao colocar a cabeça no travesseiro. Em uma palavra: não devemos negar a realidade para vivermos no mundo da ilusão que o dinheiro proporciona, se usado apenas para a satisfação egoística de nossa vontade. É como diz o sábio Demócrito (460-370 a. C.): ”Não é pelo corpo e nem pela riqueza que o homem é feliz, mas sim pela retidão e muita sabedoria”.

Consultas/fontes: meuartigo.brasilescola.uol.com.br

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