O caso da estranha esfera dos Betz

Após publicar uma análise de uma esfera encontrada no México, alguns leitores me informaram sobre o interessante caso da esfera dos Betz e resolvi trazer aqui para o blog.

Segundo a história, em março de 1974 a família Betz estava investigando um incêndio próximo à sua residência em Fort George Island, Flórida (EUA), quando encontrou uma estranha esfera do tamanho de uma bola de boliche de 20cm e pesando 10kg.

O casal Antonie e Jerri Betz e o estranho orbe. Crédito: Terry Betz, filho do casal

Eles deixaram o orbe guardado quieto em sua casa por 2 semanas, até que Terry Betz, filho de Antonie e Jerri Betz, resolveu fazer algumas improvisações com uma guitarra – quando percebeu que a esfera pareceu reagir ao som da guitarra, fazendo um barulho latejante que assustou o cão deles.

Mais tarde, notou-se que a esfera rolava sozinha e até parava e mudava de direção sem nenhuma interferência. Num dos experimentos realizado pela família, percebeu-se que ela fazia barulho quando batida por um martelo e que movia após ser sacudida e colocada no chão.

Observou-se também que:

  • A esfera teria se movido sozinha várias vezes, seguindo as pessoas pela casa por conta própria;
  • A atividade era maior em dias ensolarados, sugerindo que seu funcionamento era afetado pela radiação solar;
  • Emitia um som de baixa frequência como se houvesse um motor interno;
  • Colocada sobre a mesa, a esfera percorria pelo perímetro sem cair.
A esfera

O caso chegou a ficar assustador quando os Betz declararam que o artefato parecia estar motivando incidentes paranormais na residência da família. As portas da casa começaram a abrir e fechar sozinhas, e os moradores passaram a ser acordados no meio da noite pelo som de uma música tocada por um órgão, sem que eles tivessem tal instrumento musical em sua casa.

Foi só então que eles permitiram que a esfera fosse analisada. Nos estudos feitos pelos militares da Estação Aérea Naval de Jacksonville e pela empresa de pesquisa Omega Minus One Institute, constatou-se que:

  • O raio-x não conseguia penetrar completamente na esfera, mas indicou que havia duas outras pequenas esferas dentro;
  • Era composto de aço inoxidável;
  • Tinha 4 polos magnéticos, 2 positivos e 2 negativos, provavelmente responsável pelo campo magnético ao redor que gerava ondas de rádio;
  • Poderia suportar 120 mil libras de pressão (mais de 8 mil atmosferas de pressão).

Apesar das peculiaridades do material o porta voz da marinha informou que a esfera seria um enorme rolamento de esferas usado como válvula de retenção no sistema de tubulação de alguma fábrica química.

A marinha teria dito também que em relação ao movimento autônomo estranho da esfera, acredita ser por causa da construção da casa – que é antiga em tem pedras irregulares. “A bola está quase perfeitamente equilibrada, e bastaria um pequeno recuo para fazê-la mover ou mudar de direção”, informou.

Na época exibiram a esfera numa conferência organizado pela National Enquirer, que estava oferecendo uma recompensa em dinheiro por qualquer objeto comprovadamente vindo do espaço sideral. Entre os analisadores estava J. Allen Hynek, que não se impressionou com a esfera.

J. Allen Hynek, professor de astronomia da Northwestern University e um dos ufólogos mais conhecidos da época, chegou a analisar essa esfera e não ficou impressionado, concordando com a marinha de que ela foi feita pelos humanos.

Numa revisão mais recente em 2012, um podcast de ciência chamado Skeptoid revelou uma notícia antiga de que a esfera teria sido produzida pela empresa Bell & Howell, sendo usada em uma válvula que remove líquidos e gases corrosivos do tanque de digestão para moinhos de celulose. A esfera possui o mesmo peso e descrição visual das produzida pela empresa.

“Não estou dizendo que essa coisa não veio do espaço sideral porque nunca vi uma”, disse Robert D. Edwards, presidente de uma empresa de fornecimento de aço inoxidável em Jacksonville. “Tudo o que estou dizendo é que a descrição física é exatamente o tipo de bola que temos em estoque.”

Skeptoid destacou que a esfera ficou quieta na casa dos Betz por duas semanas, até que alguém resolveu experimentá-la (provavelmente ele está se referindo quando Terry começou a tocar guitarra), sendo esta a explicação para seu movimento aparentemente autônomo.

Por último o podcast contou a trajetória de James Durling-Jones, um artista conhecido do Novo México que colecionava sucata para uso em esculturas. Durling-Jones relatou ter levado válvulas de retenção esférica no porta-malas de seu ônibus Volkswagen e ter dirigido pela região de Jacksonville na Páscoa de 1971, quando algumas bolas rolaram do porta-malas e foram perdidas.

Já sobre os fenômenos assustadores paranormais, poderia ser peças pregadas por suas mentes – ávidas por encontrar uma solução para a misteriosa origem do artefato. Tem até um nome para isso, apofenia. Será?

Consultas: Wikipédia (1) (2); Megacurioso

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