O reconhecimento do Brasil, em 1954, dos discos voadores e sua procedência extraterrestre

Em 2 de novembro de 1954 o Brasil reconheceu, em uma conferência proferida pelo coronel João Adil de Oliveira, a presença dos discos voadores e sua origem extrerrestre. O assunto discos voadores vinha aparecendo constantemente nos jornais brasileiros nas semanas anteriores.

A palestra foi realizada na antiga Escola Técnica do Exército (Rio de Janeiro), hoje Instituto Militar de Engenharia (IME). Estavam presentes as autoridades das mais altas patentes das três Forças Singulares, destacando-se o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Gervásio Duncan de Lima Rodrigues, Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, além de membros da mídia, como os repórteres João Martins e Ed Keffel de O Cruzeiro e o pesquisador Fernando Cleto Nunes Pereira.

Adil, como Chefe da 2ª Sessão (Inteligência) da 3ª Zona Aérea (hoje 3ª Comando Aéreo Regional), foi designado pelo Ministro da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Eduardo Gomes, para chefiar a primeira “Comissão de Investigação sobre os Discos voadores” criada no Brasil. 

João Adil de Oliveira. Créditos: PROJECT 1947 (imagem esquerda) e EUDOXIO (imagem direita)

Adil acreditava na existência dos supostos objetos e apresentou as principais hipóteses a respeito da sua origem. A transcrição da conferência publicada na época revela que o coronel teve uma tendência clara a apoiar a hipótese extraterrestre, perceptível pelos argumentos e obras citadas.

A conferência foi patrocinada pela Associação dos diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), órgão institucional dessa Escola. A Escola Superior de Guerra e a ADESG são entidades da mais alta responsabilidade e que reúnem a elite dos nossos militares e dos nossos técnicos.

No final da conferência foram apresentadas, pelo Doutor Alberto de Melo Flores (que cooperou na organização da mesma), testemunhas autorizadas do fenômeno no Brasil. O Doutor Flores foi Diretor da Engenharia da Aeronáutica e pertenceu ao Gabinete do Ministro da Aeronáutica.

Repercusão na imprensa

As reações da imprensa à conferência foram bem diferentes. Ary Maurell Lobo, diretor de Ciência Popular, a principal revista de divulgação de ciência na época, criticou-a duramente, dizendo que não passava de uma compilação de notícias antigas e que “a associação dos diplomados da Escola Superior de Guerra precisa organizar debates de maior valor cultural; por enquanto, pela amostra, os seus cursos de extensão constituem ridicularias.”

Já a revista O Cruzeiro, do grupo de mídia Diário Associados de Assis Chateaubriand, teve postura oposta. A publicação, a maior do país na época, reservou mais de dez páginas para a transcrição da conferência, celebrando-a como um grande evento.

A revista Manchete, iniciada por Adolpho Bloch apenas dois anos antes, seguiu uma linha editorial parecida com a de O Cruzeiro, com ênfase na hipótese extraterrestre, embora com menos espaço para a divulgação da palestra.

A revista O Cruzeiro na edição extra de novembro de 1954 apresentou o texto integral do coronel Adil, no que definiu como “um trabalho que não deve faltar na coleção de todos aqueles que se interessam pelo fascinante assunto dos ‘Discos Voadores'” (obs: algumas fontes cita a matéria como estando na edição de 11 de dezembro de 1954, sob o título Extra! “Discos Voadores” – A conferência do Coronel Adil de Oliveira).

A matéria da revista, contendo a transcrição completa da histórica conferência realizada pelo coronel, foi digitado na íntegra e disponibilizado pelo ufólogo e professor de história José Carlos Rocha Vieira Júnior, como consta a fonte Suscitando a História (clique no link e prepare um lugar confortável, que o texto é longo).

Arte: Universo Iluminado

A França foi a segunda nação a fazer admissão semelhante, em 1976, 22 anos depois.

Consultas: Suscitando a História; ANPUH; FAB

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