Na parte 1 deste artigo vimos que o modelo gravastar original propunha uma espécie de matéria exótica ou condensado de Bose-Einstein de energia escura rodeado por uma fina camada de matéria regular (a casca). O condensado interno garante que a gravastar não tenha singularidade, enquanto a densa camada de matéria garante que a gravastar pareça semelhante a um buraco negro vista de fora. Ideia interessante, mas há dois problemas centrais.
Uma delas é que a casca é instável, principalmente se a gravastar estiver girando. Existem maneiras de ajustar as coisas apenas para torná-las estáveis, mas essas condições ideais provavelmente não ocorrerão na natureza. O segundo problema é que as observações de ondas gravitacionais de grandes fusões de corpos confirmam o modelo padrão de buraco negro. Mas um novo modelo Gravastar poderá resolver alguns desses problemas.
O novo modelo basicamente aninha vários gravastars, um pouco como aquelas bonecas Matryoshka aninhadas. Em vez de uma única camada envolvendo energia escura exótica, o modelo tem várias camadas aninhadas com energia escura entre elas. Os autores referem-se a este modelo como nestar, ou nested gravastar.

O conceito de “Nested Gravastar” ou “Gravastar Aninhado” é uma variação ainda mais teórica e especulativa dentro do próprio conceito já teórico dos gravastars. A ideia de um gravastar, como mencionado anteriormente, é uma alternativa aos buracos negros, onde uma transição de fase na matéria sob extrema gravidade impede o colapso em uma singularidade, resultando em um estado exótico de matéria com pressão negativa.
Um gravastar aninhado leva essa ideia um passo adiante, sugerindo a possibilidade de múltiplas camadas ou “casulos” de matéria exótica dentro de um gravastar, cada um cercado por sua própria camada de transição. Essencialmente, seria como ter um gravastar dentro de outro, onde cada camada interna teria suas próprias propriedades exóticas e potencialmente diferentes estados de matéria ou pressões negativas.
Este modelo alternativo torna a gravastar mais estável, uma vez que a tensão da energia escura é mais bem equilibrada pelo peso das conchas (a casca fina ao redor do núcleo). A estrutura interior do nestar também significa que as ondas gravitacionais de um nestar e de um buraco negro são mais semelhantes, o que significa que tecnicamente a sua existência não pode ser descartada.
Esta ideia é ainda mais especulativa e não se baseia em evidências observacionais. Em vez disso, é uma exploração teórica das possíveis consequências extremas das leis da física em condições de alta gravidade e densidade. A física de como essas camadas interagiriam ou seriam estabilizadas é complexa e ainda não está claramente definida.
Dito isto, até os autores observam que não existe um cenário provável que possa produzir nestars. Provavelmente não existem, e é quase certo que o que observamos como buracos negros são verdadeiros buracos negros. Mas estudos como este são excelentes para testar os limites da relatividade geral. Eles nos ajudam a compreender o que é possível dentro da estrutura da teoria, o que por sua vez nos ajuda a compreender melhor a física gravitacional.
Consulta: ufo.com.br (Acessado 06/03/2024)
