O Ramayana, um antigo épico hindu, narra a cativante saga do príncipe Rama, cuja jornada heróica visa resgatar sua amada esposa, Sita, das garras do demônio Ravana. Rama, reverenciado como um avatar do deus Vishnu, personifica virtude, coragem e devoção, destacando-se como um exemplo a ser seguido.

Esta épica sagrada é rica em lições sobre moralidade, lealdade, amor e dever, transmitindo valores atemporais. Acompanhado por seu irmão Lakshmana e pelo leal macaco Hanuman, Rama enfrenta desafios extraordinários em sua busca, tecendo uma narrativa envolvente com personagens memoráveis, como a deusa Sita, o sábio Valmiki e o demônio Ravana.
O Ramayana transcende as eras, explorando temas fundamentais como a importância da família, a prevalência do bem sobre o mal e a busca incessante pela verdade e justiça. Com diversas versões em distintos idiomas e culturas, cada uma com suas nuances e interpretações, o épico permanece uma fonte inesgotável de inspiração transmitida de geração em geração.
Na Índia e além, o Ramayana é reverenciado como um dos textos religiosos mais significativos. Sua influência perdura, proporcionando insights profundos que podem ser aplicados em nossas vidas. Ao explorarmos os ensinamentos do Ramayana, encontramos uma valiosa reflexão sobre nossos próprios desafios, buscando inspiração para alcançar a verdadeira felicidade.

A história de Rama é extensa e muito bonita. O poema está dividido em sete livros (Kandas) de extensão desigual, que podem ser resumidos muito brevemente como segue:
Livro I. (Bala-Kanda). O rei Dasaratha de Ayodhya, realiza um sacrifício na esperança de obter um filho. Nessa época os Devas estão alarmados com o poder adquirido pelo poderoso asura chamado Ravana, que, pela prática de magia tinha conquistado quase todo o mundo conhecido. A prece do rei Dasaratha é respondida e suas três esposas têm quatro filhos, Rama, Bharata e os gêmeos Lakshmana e Shatrughna, que são todos encarnações parciais de Shri Vishnu. Vishnu, no entanto, se manifesta mais plenamente em Shri Rama do que nos outros irmãos. Os meninos crescem e Shri Rama ganha, como sua noiva, Sita, a filha do rei Janaka do reino vizinho de Videha.
Livro II. (Ayodhya Kanda). O rei Dasaratha tenciona proclamar Shri Rama herdeiro presuntivo, mas o ciúme da sua segunda rainha, Kaikeyi, é despertado, e ela segura o rei a uma promessa feita anteriormente, que ele iria lhe conceder duas bênçãos. As bênçãos que ela agora assegura são o banimento de Shri Rama para a floresta por quatorze anos, e a instalação do seu próprio filho Bharata como Yuvaraja. De acordo com a lei da justiça (dharma) um voto deve ser honrado, e Shri Rama aceita calmamente a sentença de exílio. Ele viaja para o sul para Chittrakuta na Floresta de Dandaka com sua esposa Sita e seu irmão Lakshmana. O rei Dasaratha morre de tristeza e Bharata implora a Shri Rama para voltar ao trono, mas o último adere firmemente à defesa do honra de seu pai e ao cumprimento de seu voto.
Livro III. (Aranya Kanda). Depois de cerca de dez anos na floresta com seu marido, a princesa Sita é raptada pelo asura Ravana, e levada por ele até sua capital, Lanka.
Livro IV. (Kishkindha Kanda). Rama e Lakshmana em busca de Ravana e para resgatar Sita conseguem a ajuda do rei Sugriva, líder da tribo de macacos, cujo ministro-chefe Hanuman se torna o principal devoto e servo de Shri Rama. Ajuda também vem de Vibishana, irmão de Ravana, que desaprovava abertamente a conduta do rei asura, e o avisou do castigo que ele podia esperar pelas ações injustas.
Livro V. (Sundara-Kanda). Os exércitos de macacos chegam à costa sul da Índia, e, construindo uma ponte entre os estreitos, ganham a entrada em Lanka.
Livro VI. (Lanka-Kanda). Depois de uma série de batalhas campais, Lanka é capturada e Ravana é morto por Shri Rama. Sita demonstra sua pureza e fidelidade a seu marido, por submeter-se com sucesso à prova de fogo. O período de exílio de quatorze anos está agora concluído, e Shri Rama retorna com sua consorte, seus irmãos e aliados, para a capital Ayodhya, onde ele começa um reinado longo e glorioso.
Livro VII. (Uttara-Kanda). Esta ‘seção posterior’, ou epílogo, descreve as dúvidas levantadas nas mentes dos cidadãos relativas à pureza de Sita, e como eles obrigaram Shri Rama a mandá-la para eremitério de Valmiki na floresta, onde ela dá à luz filhos gêmeos, Kusha e Lava. Quando esses meninos crescem, eles retornam para Ayodhya e são reconhecidos por Shri Rama, que posteriormente traz Sita de volta para compartilhar do governo do reino com ele.

Essa em resumo é a história do Ramayana… Ele não é só poesia de poder dramático e brilho insuperáveis, ele é um tesouro de informações sobre a retórica, medicina, geologia, botânica, geografia e todas as facetas da civilização antiga, pelas quais estudiosos eruditos podem se interessar. Para todo hindu, Shri Rama e Sita são o homem e a mulher ideais, o modelo de marido e mulher. Shri Rama é uma encarnação de Deus, o Princípio Onipenetrante da Verdade e Inteligência, e qual padrão mais alto para a própria vida poderia ser escolhido do que este homem de virtude perfeita, um amante da verdade, compassivo, justo, benevolente, valoroso e cavalheiresco? A história também pode ser tomada como uma alegoria.
Simbolicamente Rama e Ravana representam as forças da luz e das trevas operando no coração humano, assim como no mundo. Veracidade, benevolência, piedade, e justiça são as forças da Luz que são combatidas pela ganância, luxúria, amor ao prazer e poder, raiva e egoísmo. O verdadeiro triunfo do homem significa conquistar as forças das trevas.
Acredita-se que o Ramayana tenha sido escrita entre 500 e 100 aC, e é atribuída a um venerado sábio hindu, Valmiki. Na Índia é celebrado em setembro/outubro de cada ano, o festival Dussehra, que comemora a vitória de Rama sobre o demoníaco Ravana, terminando o governo da tirania, injustiça, selvageria e iniquidade.
Fontes: Yoga Pranava, Clube Glória (acessados 25/12/2023)
