Cientistas brasileiros rejuvenescem neurônios humanos em estudo inédito

CÉREBRO: À medida que envelhecemos, ocorrem rupturas nas fitas do nosso DNA, criando uma espécie de cicatriz no código genético (Creatas Images/Thinkstock/VEJA/VEJA)

Enquanto o RNA mensageiro (mRNA) desponta no cenário mundial como protagonista no combate à pandemia de Covid-19, sua verdadeira grandiosidade vai muito além da criação de vacinas. Este avanço tecnológico promissor está sendo explorado para finalidades terapêuticas, desencadeando uma revolução na medicina. Uma corrida frenética, envolvendo farmacêuticas, universidades e healthtechs, busca não apenas solucionar doenças menos prevalentes, mas também enfrentar quadros crônicos e frequentes. Da degeneração macular à hipertensão, da polineuropatia ao câncer, as possibilidades parecem infinitas.

No epicentro dessa revolução, surge a startup brasileira Aptah Bio, fundada em 2018. Seu foco audacioso: as rupturas nas fitas do nosso DNA, desencadeadoras de doenças neurodegenerativas implacáveis como Alzheimer e glioblastoma multiforme. A visão? Desenvolver tratamentos revolucionários à base de RNA capazes de enfrentar essas condições.

A última proeza da Aptah Bio parece tirada de um enredo de ficção científica: sua equipe de cientistas conseguiu rejuvenescer neurônios humanos em cerca de 30 anos, e tudo isso em apenas 7 dias de tratamento. Os testes in vitro realizados no Canadá com neurônios de pacientes idosos com Alzheimer demonstraram não apenas uma reversão do envelhecimento celular, mas a restauração das funções fisiológicas comprometidas pela doença.

O cientista-chefe da startup, Caio Leal, declara:

“Trata-se de algo inédito na ciência. O nosso medicamento regula e controla a produção de todas as proteínas do organismo. Estamos falando de mais de 100 mil proteínas diferentes”.

Uma afirmação audaciosa que reflete o impacto monumental dessa descoberta.

Nos estudos, mais de 3 mil neurônios de pacientes com Alzheimer foram utilizados. Rafael Bottos, CEO e cofundador da Aptah Bio, destaca:

“Conseguimos não só rejuvenescer a célula saudável de um idoso, como recuperar uma célula doente, devolvendo a capacidade funcional e tornando-a saudável novamente”.

Uma vitória triunfante na luta contra o enigma do envelhecimento cerebral.

A análise das sinapses dos neurônios submetidos ao tratamento revelou um aumento extraordinário de 40%, evidenciando não apenas a reversão do processo degenerativo, mas um salto na capacidade funcional dessas células. O erro foi identificado e corrigido, restaurando a função original e interrompendo a produção tóxica de proteínas associadas ao Alzheimer.

Entretanto, cautela é necessária. Apesar dos resultados promissores, o trabalho ainda não passou pelo escrutínio das revistas científicas internacionais revisadas por pares, nem foi apresentado em congressos da área. O processo de limpeza das células tóxicas, vital para doenças degenerativas, impõe a necessidade de tratamento contínuo.

Mesmo diante desses desafios, a Aptah Bio vislumbra um futuro onde sua droga à base de RNA não apenas trate o Alzheimer, mas também outras condições, como demência frontotemporal e esclerose lateral amiotrófica. Com os testes em laboratório recebendo altas notas, a medicação seguirá para pesquisas com animais, e, se bem-sucedida, para estudos clínicos em humanos. Um salto monumental em direção a um futuro onde a ciência reescreve as regras, oferecendo esperança a milhões de lares em todo o mundo que enfrentam o flagelo do Alzheimer, uma batalha que no Brasil atinge mais de 1 milhão de pessoas.”

Fontes: Veja, Olhar Digital (acessados 21/12/2023)

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