Com todos os olhos voltados para a conferência climática COP28 em Dubai, novas descobertas científicas mostram, novamente, que a crise climática está cobrando seu preço na Antártida.
Usando dados de satélite, os cientistas descobriram que a plataforma de gelo que se estendia para o oceano a partir da geleira Cadman, no oeste da Península Antártica, entrou em colapso, deixando a geleira exposta a uma água oceânica excepcionalmente quente, o que fez com que a geleira acelerasse e recuasse rapidamente.
A pesquisa, foi publicada anteontem na Nature Communications. Eles descobriram que, entre novembro de 2018 e maio de 2021, a geleira recuou oito quilômetros, depois de ficar estável por cerca de 50 anos.


É importante ressaltar que as plataformas de gelo atuam como um contraforte, retardando o fluxo da geleira em direção ao mar [uma plataforma de gelo é uma extensa camada de gelo flutuante, geralmente encontrada em águas costeiras ou oceânicas].
A plataforma de gelo Cadman tornou-se tão fina que não foi mais capaz de segurar a geleira. De acordo com esta nova pesquisa, a geleira Cadman está agora em um estado de “desequilíbrio dinâmico substancial”.
“Curiosamente, as geleiras vizinhas nesta parte da Península Antártica Ocidental não reagiram da mesma maneira, o que pode trazer lições importantes para a maneira como podemos projetar melhor como as mudanças climáticas continuarão a afetar esta importante e sensível região polar”, observou Benjamin Wallis, da Universidade de Leeds, que liderou a pesquisa.
O professor Michael Meredith, do British Antarctic Survey e um dos autores do artigo, disse: “Sabemos há algum tempo que o oceano ao redor da Antártida está se aquecendo rapidamente, e que isso representa uma ameaça significativa para as geleiras e a camada de gelo, com consequências para o aumento do nível do mar globalmente.”
“O que esta nova pesquisa mostra é que geleiras aparentemente estáveis podem mudar muito rapidamente, tornando-se instáveis quase sem aviso prévio e, em seguida, afinando e recuando muito fortemente.”
“Isso enfatiza a necessidade de uma rede abrangente de observação do oceano ao redor da Antártida, especialmente em regiões próximas a geleiras que são especialmente difíceis de fazer medições.”
Mark Drinkwater, da ESA (Agência Espacial Européia), acrescentou: “Mais uma vez, vemos que a Antártida é mais suscetível a mudanças do que pensávamos há alguns anos. É imperativo que continuemos a monitorizar este continente frágil e os oceanos circundantes. Só podemos capturar toda a extensão dessas mudanças com medições obtidas por satélites ao longo de décadas.”
Fonte e maiores informações:
ESA: https://www.esa.int/Applications/Observing_the_Earth/Copernicus/Sentinel-1/Warming_ocean_causing_rapid_glacier_retreat. Acessado em 29/11/2023
